Thursday, September 21, 2017

"O Assassino: O Primeiro Alvo" (American Assassin)



"O Assassino – O Primeiro Alvo" (American Assassin), com direção de Michael Cuesta, é a adaptação da série de livros "Mitch Rapp" do autor Vince Flynn e tem como protagonista um agrente secreto nos moldes de Jack Reacher, John Wick e Jason Bourne.

No filme, Mitch Rapp (Dylan O’Brien) é um universitário que está passando férias em Ibiza, na Espanha, ao lado da noiva. E ocorre um ataque terrorista liderado por Adnan Al-Mansur (Shahid Ahmed). Centenas de turistas foram mortos, incluindo a noiva de Mitch, Katrina (Charlotte Veja). Rapp decide então se vingar do terrorista. E o longa dá um salto de 18 meses, e neste período o jovem arquitetou um plano para se infiltrar na célula terrorista de Al-Mansur.

Então Rapp reaparece com uma série de habilidades que chamam a atenção da CIA, onde a diretora Irene Kennedy (Sanaa Lathan) encontra uma oportunidade de usá-lo como agente para o serviço de inteligência. Pra treiná-lo, ela convoca o veterano Stan Hurley (Michael Keaton). O objetivo é transformar Rapp num agente com capacidade para caçar potenciais inimigos dos Estados Unidos.

Claro que a relação entre Rapp e Hurley não será das mais fáceis, pois o jovem não obedece a ordens e é temperamental. Mesmo assim eles são obrigados a trabalhar juntos para investigar uma onda de ataques terroristas em território europeu. E descobrem que um ex-agente da CIA e antigo prodígio treinado por Hurley (interpretado por Taylor Kitsch), é Ghost, que pretende fazer um grande atentado na Europa.

Mas muita coisa parece forçada demais em "O Assassino – O Primeiro Alvo". Afinal, o protagonista apresenta uma série de habilidades inimagináveis para alguém que treinou por um período tão curto e está em sua primeira missão. E tem Michael Keaton careteiro como a muito não se via, com diálogos quase risíveis entre seu personagem e Ghost. O filme até apresenta coreografias bem ensaiadas, efeitos especiais muito bons - a cena em que uma bomba atômica explode é simplesmente sensacional. Porém tudo já foi visto em outras obras do gênero. Mas pode ser um bom entretenimento por quase duas horas.

Duração: 1h51min

Cotação: regular
Chico Izidro

"Divórcio"



"Divórcio", dirigido por Pedro Amorim e escrito por Paulo Cursino (De Pernas Pro Ar e Até Que A Sorte Nos Separe), o filme, passado em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, conta a história de Noeli (Camila Morgado), que é roubada do altar por Júlio (Murilo Benício), quando iria se casar com um homem de que não gostava, em casamento arranjado por seu pai. Nos anos seguintes, o casal leva uma vida humilde, mas ao produzirem um molho de tomate batizado de Juno, as iniciais de seus nomes, com um segredo especial, acaba enriquecendo.

Mas com o passar do tempo, e com duas filhas, a fortuna e a rotina acaba deixando o casal distante. E após uma festa em que eles se perdem numa estrada, surge a gota d'água para provocar a separação. E para brigar pelo patrimônio, cada um contrata o melhor advogado para si, o que acaba gerando um processo de divórcio repleto de problemas. E para quem não se lembra, os diversos atritos que tem entre eles lembra muito "A Guerra dos Roses", filme dirigido por Danny DeVito e protagonizado por Michael Douglas e Kathleen Turner em 1989. Ou seja, mais chupação, tá bom, reciclagem do foi feito bem lá atrás, e piorado.

As atuações de Benício e Morgado são prejudicadas pelo estereótipo caipira dos personagens, afinal estamos no interior paulista. Nada é é engraçado. Pelo contrário, tudo é tão irritante, como por exemplo as risadas desengonçadas dos protagonistas. E tudo piora ainda com a trilha sonora, repleta de música sertaneja - para quem gosta, e dê-lhe mau gosto, é uma alegria. E no final, "Divórcio" se perde totalmente, sendo previsível ao extremo.

Duração: 1h50min

Cotação: ruim
Chico Izidro

"Mãe!" (Mother!)




É difícil falar sobre “Mãe!”, a nova obra de Darren Aronofsky (diretor de Cisne Negro e O Vencedor), onde muita coisa não faz nenhum sentido na tela, e ficamos pensando o que o cineasta fumou ou cheirou para filmar aquilo que vemos e ouvimos. A trama tem como protagonista uma jovem mulher, interpretado por Jenniferr Lawrence, que mora em uma casa isolada ao lado do marido, um poeta que vive crise criativa, vivido por Javier Bardem. Nenhum dos personagens em cena têm nome.

A casa onde moram foi destruída, e a mulher reconstrói a habitação aos poucos. E o casal tem a rotina interrompida quando aparece um médico (Ed Harris) no local. Sua presença causa desconforto na garota. E as coisas vão piorar quando chegar a mulher do médico (Michelle Pfeiffer). E para trazer mais caos, aparecem os dois filhos desta dupla mais velha. Um crime é cometido. E o terror parece finalmente estar presente...mas é mais um terror psicológico. A partir deste momento, a velha casa transforma-se em um cenário para toda uma série de acontecimentos, com várias pessoas entrando e saindo da casa, deixando a garota cada vez mais desnorteada, enquanto que seu marido parece indiferente a tudo.
Temos até ares de "O Bebê de Rosemary", quando a garota surge grávida, e as pessoas continuam invadindo sua casa, seu espaço. E ela pedindo e não sendo ouvida, para que saiam e o marido continua lá, impassível.
As imagens que vemos na tela parecem não fazer sentido nenhum. Mas parabéns para Jennifer Lawrence, que está presente em praticamente todas as cenas do filme, mostrando todo o desespero, insegurança e fragilidade em suas feições e gestos. Já Javier Bardem passa boa parte do filme relegado ao papel de marido alienado e distante. Uma obra difícil. Para poucos. E que acompanhamos atentos, para saber onde tudo vai parar.

Duração: 2h02min
Cotação: regular
Chico Izidro

Thursday, September 14, 2017

"Feito na América" (American Made)



"Feito na América" (American Made), dirigido por Doug Liman, é o mais novo filme estrelado por Tom Cruise, que aqui vive a história baseada em fatos reais, e muita coisa parece inventada, de tão absurda, do piloto Barry Seal, que no final dos anos 1970 até meados dos anos 1980, trabalhou para a CIA, DEA, ao mesmo tempo que traficava drogas e armas para o Cartel de Meddelín. A obra acerta na reconstituição de época, tem uma trilha sonora forte, daquele período, e imagens reais de eventos ocorridos à época, mostrando figuras como o ex-presidente dos Estados Unidos Ronald Reagan, sua mulher Nancy, que dirigiu campanha contra as drogas e o assessor militar Oliver North, autor do famigerado plano Irã-Contras.

A trama lembra um pouco o filme "Profissão de Risco", dirigido por Jonathan Demme e protagonizado por Johnny Depp e lançado em 2001. Nele, acompanhamos a trajetória real de George Jung (Depp), que nos anos 1970, se torna o principal importador de cocaína do Cartel de Medellín para os Estados Unidos. Durante duas décadas, Jung foi um dos principais alvos do combate às drogas do governo americano e era quem fazia a conexão entre os EUA e a Colômbia.

E não é difícil imaginar que George Jung, que ficou preso por 20 anos, sendo libertado em 2014, e hoje está com 75 anos, não tenha cruzado com Barry Seal. Este trabalhava como piloto comercial, até ser cooptado pela CIA para fazer espionagem aérea na América Central - tirar fotos de atividades comunistas na Nicarágua e El Salvador. E logo fica conhecido na região e não demora para que receba uma proposta do Cartel de Medelin, composto por figuras como Pablo Escobar, Jorge Luis e Juan Davi, para traficar drogas da América do Sul para os EUA. A partir deste momento, Seal se torna uma espécie de "agente duplo" e depois triplo, pois acaba caindo nas mãos do DEA - o departamento antidrogas americano. E tudo isso fingindo para a mulher e os filhos que ele continua trabalhando como piloto comercial.

"Feito na América" é mais um exemplo daqueles filmes de ascenção e queda. Chega um momento em que Seal ganha tanto dinheiro que não consegue mais achar lugar para guardar a fortuna. E tem em seu encalço governo americano, traficantes...
O longa apresenta uma narrativa frenética, trazendo Tom Cruise numa pegada mais cômica. Enfim, é um filme que entretém, mesmo que em determinado momento caia no mais do mesmo, quando introduz a figura do cunhado porra-louca de Seal, interpretado por Caleb Landry Jones (de Corra!) e que será o começo da queda do piloto. Mas nada que atrapalhe a boa diversão.

Duração: 1h55min

Cotação: ótimo
Chico Izidro

"As Duas Irenes"



Com roteiro e direção de Fabio Meira, "As Duas Irenes" é um excelente filme nacional, falando sobre adolescência, amadurescimento, descobertas. A trama gira em torno de uma garota de 13 anos chamada Irene (Priscila Bittencourt) que, descobre possuir uma meia-irmã, fruto do relacionamento de seu pai , interpretado por Marco Ricca, com outra mulher, de mesma idade e com o mesmo nome, Irene (Isabela Torres).

Irene fica muito curiosa, e resolve se aproximar da meia-irmã, mas nunca revelando sua verdadeira identidade. Ela se apresenta como Madalena, e aos poucos as duas garotas vão ficando muito próximas e amigas. Irene frequenta a casa da outra Irene, mas o oposto nunca acontece. Além do mais, a primeira é mais tímida, e sofre um pouco com o descaso da mãe, que se preocupa mais com a filha mais velha e com a caçula. O mesmo não acontece na casa da meia-irmã, onde a mãe é mais presente, mais carinhosa, e não impondo muitas restrições a segunda Irene.

O filme se passa numa pequena cidade do interior, apresenta um ritmo lento, bem estudado. As cenas são longas e por vezes contemplativas. E às vezes lembra aqueles momentos dos anos 70, com o cinema pequeno, onde os adolescentes iam para namorar, longe dos olhos dos pais. "As Duas Irenes" é uma obra de grande qualidade, e tem um desfecho sensacional - lá pela metade ficamos pensando como será o confronto das meninas com o pai. Então a solução é um achado...

Duração: 1h29min
Cotação: ótimo
Chico Izidro

"Amityville: O Despertar" (Amityville: The Awakening)



"Amityville: O Despertar" (Amityville: The Awakening), direção de Franck Khalfoun, é mais um longa retratando a famosa casa onde ocorreu um brutal assassinato de uma família relatado no livro "Terror em Amitivylle", escrito por Jay Anson e lançado em 1977. E este quinto filme da franquia mais uma vez não faz jus à obra literária, realmente assustadora. Este longa provoca, no máximo, bocejos.

A história gira em torno de uma família que se muda para a cidade de Amityville, e vai morar na casa onde 40 anos antes um jovem matou toda a sua família a tiros, alegando ter ouvido vozes que o fizeram cometer os crimes. A família é formada por uma mãe, vivida por uma irreconhecível Jennifer Jason-Leigh, duas filhas, uma adolescente e a outra pequena, e um filho que está em coma. Mas a mãe não avisou os filhos da maldição que ali está presente. A filha mais velha só vai se dar conta do que aconteceu quando os novos colegas do colégio começaram a praticar bullying com ela, e um dos jovens avisá-la do que ocorreu em seu lar.

A partir daí a adolescente passa a ver fantasmas pela casa, ouvir rangidos e ter pesadelos. O clichê tomando conta da história. Aliás, a atriz que interpretou a garota Belle (Bella Thorne) mostra o tempo todo uma incrível cara de tédio, não conseguindo criar um ambiente verdadeiramente tenso para o terror que se propõe o filme.
"Amityville: O Despertar" acaba se mostrando uma obra bastante fraca, não conseguindo criar nenhuma situação para assustar os espectadores - e você vai ver um filme de terror para levar susto, ou não? Ainda bem que é bem curtinho.

Duração: 1h25min

Cotação: ruim
Chico Izidro

"A Gente"



Com larga experiência em serviços penitenciários, pois trabalhou por sete anos na Casa de Custódia de São José dos Pinhais, vizinha a Curitiba, o diretor Aly Muritiba apresenta o bom documentário "A Gente". Na obra, ele , volta ao seu antigo trabalho, onde reencontra seus colegas, para acompanhar o cotidiano deles, que não é nada fácil.

Os agentes formam a Equipe Alfa, que tem 28 pessoas, de origens e formações diferentes, e que possuem a difícil missão de cuidar de mais de mil presos. O documentário foca, principalmente no agente Jefferson Walkiu, inspetor-chefe da instituição, que se divide entre o trabalho na prisão e como pastor em uma igreja batista. Podemos acompanhar o dia a dia destes profissionais, com todas as dificuldades e obstáculos - convenhamos, não é fácil lidar com presos perigosos e hostis.

E além disso, surgem os problemas, como falta de chaves para as algemas, ou apenas uma enfermeira para atender mil presidiários. Vemos as reuniões dos agentes, que ainda tem de driblar a burocracia e tentar evitar que os presos entrem em conflito. Uma realidade cruel.

Duração: 1h29min
Cotação: bom
Chico Izidro

Thursday, September 07, 2017

"It - A Coisa" (It)



Esta versão do clássico da literatura de Stephen King, lançado em 1986, é mais violento e assustador do que a versão feita para a TV em 1990 (assisti em uma fita VHS dupla), e que tinha Tim Curry (The Rocky Horror Picture Show) no papel do palhaço assassino Pennywise. Falo de "It - A Coisa" (It), dirigido por Andrés Muschietti. A trama fala sobre a entidade maligna que devora as crianças a cada 27 anos na fictícia cidade de Derry, no estado do Maine, na fronteira com o Canadá. Mas na realidade é uma metáfora para o sofrimento e o medo por que passam adolescentes nesta fase da vida.

Nesta nova versão nada dos personagens já adultos retornando à cidade para combater o palhaço. A história se passa em 1988 e foca em um grupo de jovens apelidados no colégio de "os perdedores" - seis meninos e uma menina que sofrem com o bullying dos colegas e também com a maldade dos adultos. O filme já começa violento, quando um garotinho brinca com seu barquinho de papel e é literalmente devorado por Pennywise (agora vivido por Bill Skarsgard, excelente), que se esconde em um bueiro.

Daí em diante outras crianças vão sumindo e os loosers começam a investigar e logo dão de cara com o sinistro palhaço. Mas fica claro que esta presença está apenas na mente deles. A verdade é que todos eles possuem traumas, como a menina que é abusada pelo pai, o rapaz negro que sofre com o racismo, o gordinho que tem vergonha de seu corpo, o garoto judeu que tem regras religiosas impostas em sua vida, ou o menino que sofre com a timidez por causa da gagueira e ainda o colega que tem uma mãe controladora e dominadora. Ou seja, combater Pennywise é confrontar os seus medos.

As referências aos anos 1980 estão todas lá, desde a trilha sonora, as roupas, muita lembrança de outro clássico escrito por Stephen King e que virou filmaço, "Conta Comigo" (Stand by Me). Até mesmo a série atual Strangers Things", que se passa naquela década recebe citações, inclusive com um de seus atores fazendo parte de "It", Finn Wolfhard. Ao seu lado os outros jovens atores: Jaeden Lieberher, Sophia Lillis, Jack Dylan Grazer, Wyatt Oleff, Jeremy Ray Taylor e Chosen Jacobs, todos com uma química espantosa, fazendo deste longa um filmaço.

Ah, os personagens já adultos devem aparecer na segunda parte, e que vai se passar em 2016....

Duração: 2h15min

Cotação: ótimo
Chico Izidro

"Uma Mulher Fantástica" (Una Mujer Fantástica)



Dirigido pelo chileno Sebastián Lelio, "Uma Mulher Fantástica" (Una Mujer Fantástica), é protagonizado pela atriz transgênero Daniela Vega, que dá um show de interpretação na pele de Marina Vidal, garçonete e aspirante a cantora, que sofre um baque em sua vida, e começa a verificar que sua condição sexual não é aceita tão facilmente na sociedade.

Marina tem um relacionamento estável há mais de um ano com um empresário de meia idade Orlando (Francisco Reyes). Só que ele sofre um ataque cardíaco e acaba morrendo. Daí em diante, ela que vivia de certa forma protegida pelo namorado, começa a ver as pessoas reagindo com desprezo e até mesmo violência em relação a ela. Aos poucos, Marina vai se deparando com atitudes que mostram de que a sociedade ainda não está preparada para entender a sua condição.

A todo momento, ouve xingamentos, sofre um sequestro e é agredida por tentar comparecer ao velório de Orlando. A família dele, que era distante, vai aparecendo, primeiro querendo o carro de volta, depois o apartamento que ela dividia com o namorado. A tudo, Marina tenta se manter digna, mas sofre por dentro.

O filme de Sebastián Lelio é instigante, denso, ressalta a intolerância de pessoas que não conseguem aceitar o diferente. A atuação de Daniela Vega é intensa, e ela está praticamente em todas as cenas. Absoluta.

Duração: 1h34min

Cotação: ótimo
Chico Izidro

"Polícia Federal - A Lei é Para Todos"



"Polícia Federal A Lei é Para Todos", dirigido por Marcelo Antunez, é uma adaptação de um livro escrito por Carlos Graieb e Ana Maria Santos, e retrata um dos momentos mais críticos da política brasileira atual, a Operação Lava-Jato, que vem colocando muito político e empresário atrás das grades. A obra glorifica, sim, os policiais, transformados quase em super-heróis, dignos e incorruptíveis. O filme é de difícil análise, diria espinhosa, pois todos temos uma opinião, um lado.

O longa foca no trabalho de policiais e procuradores da Polícia Federal, começando com a prisão do doleiro Alberto Yussef (Roberto Birindelli), mas de forma totalmente cinematográfica, com perseguições, fugas por escadarias. Passa também por outra prisão, do diretor da Petrobras
Paulo Roberto Costa (Roney Facchini), em outra romantização, com os policiais descobrindo contas secretas na Suíça em pedaços de papéis queimados em uma churrasqueira!!!! A trama mostra ainda quando a PF chega a residência do ex-presidente Lula, interpretado preguiçosamente e muito caricato por Ary Fontoura, que nem se deu ao trabalho de tentar reproduzir o sotaque do dirigente.

Os policiais mostrados no filme é uma mescla de vários profissionais que trabalharam nas investigações, mas há espaço para os personagens reais, que dão credibilidade ao filme, como o juiz Sérgio Moro (um dos ícones da lava-jato interpretado por Marcelo Serrado). A trama se encerra antecipando que uma parte dois está por vir.

Duração: 1h55min

Cotação: bom
Chico Izidro

"Dupla Explosiva" (The Hitmans Bodyguard)




Mais uma vez a distribuidora preguiçosamente intitulou um filme com um título idiota e tantas vezes já visto. (The Hitmans Bodyguard) ou o Guarda-Costa do Assassino virou "Dupla Explosiva"!!!! Tenha santa paciência, diria o Robin para o Batman.

O longa é dirigido por Patrick Hughes II, e é um mar de clichês de filmes de ação, com perseguições de carros, tiroteios, e cabe aqui ressaltar como os vilões são ruim de mira, por que mesmo portando potentes metralhadoras, bazucas ou rifles, nunca conseguem acertar um tiro sequer nos mocinhos.

Os mocinhos no caso são o guarda-costa de personalidades políticas e empresariais Michael Bryce (Ryan Reynolds). Ele recebe a incubência de levar o assassino profissional Darius Kincaid (Samuel L. Jackson) para testemunhar contra o político bielo-russo Vladislav Dukhovich (Gary Oldman) na Corte Internacional de Justiça, em Haia, na Holanda. Dukhovich é acusado de crimes contra seus cidadãos e claro, não quer que Kincaid, um ex-contratado seu, apareça. Por isso, põe um verdadeiro exército para tentar evitar sua ida à cidade holandesa.

Claro que Bryce e Kincaid são completos opostos e desde o primeiro momento não se entendem - clichê! Mas enquanto viajam pela Europa vão se conhecendo, e se odiando, depois se amando, depois se odiando mais um pouco. E perseguidos por um bando de incompetentes. As cenas de ação e tiroteios são bem filmadas, mas nada do que já não vimos anteriormente. O mais do mesmo.

Duração: 1h58min

Cotação: regular
Chico Izidro

Friday, September 01, 2017

“Atômica” (Atomic Blonde)




Ambientada dias antes da queda do Muro de Berlim, “Atômica” (Atomic Blonde), dirigido por David Leitch, é baseado nos quadrinhos The Coldest City, de Antony Johnston e Sam Hart. É um filme de espionagem, com muita ação, humor, erotismo, belas coreografias e uma trilha sonora poderosa. Ah, e ainda tem Charlize Theron no papel de uma poderosa espiã.

A trama, como já disse antes, é toda passada na Berlim, que vive seus últimos dias de Guerra Fria. O Muro vai cair dali a alguns dias, mas agências de espionagem americanas, russas, inglesas e alemãs ainda não tem noção do que está acontecendo pelo país, dividido desde o final da II Guerra Mundial. Lorraine Broughton (Charlize Theron) é uma agente do MI6, serviço secreto britânico, recebe a missão de recuperar uma lista contendo os nomes de diversos espiões, que serão revelados se caírem nas mãos dos russos. Além disso, ela tem de desvendar o assassinato de um antigo colega, ao lado de outro colega,
David Percival (James McAvoy), que conhece cada canto berlinense.

“Atômica” tem uma história envolvente, mas ao mesmo tempo às vezes meio confusa, por causa de suas reviravoltas – uma hora você acha que tal espião é pró-soviético, outra hora ele parecer ser pró-ocidente. Ficamos meio que sem saber quem está jogando para quem e por quê. Mesmo assim, isso não tira a sua força.

O longa mostra ainda um excepcional plano sequência, com uma luta de Lorraine contra vários inimigos num prédio de Berlim. A cena é um deleite, e mostra closes de Theron sendo chutada, esfaqueada, chutando, esfaqueando, olhos roxos, hematomas. Ah, e ainda tem uma trilha sonora fantástica para quem é fã dos anos 1980, com direito a David Bowie com Cat People (Putting Out Fire), Peter Schilling e sua Major Tom. Nena e a dançante
99 Luftballons, George Michael, com Father Figure, Siouxsie & The Banshees com o clássico neo-punk Cities in Dust, Falco, com Der Kommissar, Clash e o clássico LondON Calling, e ufa.... A Flock of Seagulls, e sua I Ran. Filmaço.

Duração: 1h55min

Cotação: ótimo
Chico Izidro

"Deserto do Deserto"




O documentário "Deserto do Deserto", dirigido por Samir Abujamra e Tito
Gonzalez Garcia, mira um povo esquecido pelo mundo: o Saharaui, habitantes do Saara Ocidental, país que durante mais de 90 anos foi colônia espanhola na África. Quando sonhava com sua independência em 1975, ano da morte do ditador Franco, os espanhóis barganharam o país com o Marrocos e à Mauritânia (que se retirou em 1979), que desde então controla o local com mão de ferro, transformando seus habitantes em cidadãos de segunda classe.


Muitos deles buscaram refúgio na Argélia - o Marrocos sufocou os Saharauis, deixando apenas uma pequena faixa territorial para morarem - no entorno existe um muro, protegido ainda por quase sete milhões de minas explosivas.


O diretor Samir Abujamra e o co-diretor, o franco-chileno Tito Gonzalez Garcia penetram neste território, entrevistando seus moradores - muito deles falando espanhol, pois serviram no exército espanhol durante a colonização, mas depois foram largados à própria sorte. São depoimentos tocantes e fortes, chamando a atenção para o drama que essas pessoas vivem.


O documentário termina num momento de grande tensão: Samir e Tito atravessam a pequena faixa que pode ser habitada pelos Saharauis, tentando chegar até o Oceano Atlântico - eles são acompanhados por soldados da etnia. E passando pelo vasto deserto quase acabam morrendo
quando o carro que estavam explode ao passar sobre uma mina. Momento tenso, e que os fez se colocarem no lugar daquele povo oprimido.


Duração: 1h26min

Cotação: ótimo
Chico Izidro

"Um Filme de Cinema"




O que nos motiva a gostar de cinema? Ou melhor, porque escolher este meio
para ganhar a vida? Enfim, ser cineasta. O diretor Walter Carvalho faz um
delicioso documentário, onde ao largo de uma década e meia entrevistou
vários diretores consagrados, que buscaram em suas memórias contar
porque são cineastas e como isto é um prazer para eles. E em meio ao
depoimento, incluiu trechos de filmes citados por eles, indo desde "Limite",
de Mario Peixoto, "Ladrões de Bicicletas", de Vittorio De Sica, até mesmo
obras com Boris Karloff vestido de gorila em "The Ape".


“O documentário é uma reflexão sobre a construção e a linguagem
cinematográfica. Eu queria entender um pouco mais sobre cinema e sobre o
que eu estava fazendo como cineasta”, afirmou Carvalho. “A princípio
entrevistei os diretores com os quais estava trabalhando e depois parti
para os que admiro e que tive oportunidade de encontrar”, complementa.


O documentário apresenta entrevistas saborosas com cineastas do quilate
de Béla Tarr, Hector Babenco, Julio Bressane, Andrzej Wajda, Ruy Guerra,
Ken Loach, Gus Van Sant, Jia Zhangke, José Padilha e Lucrécia Martel. Eles fazem uma
análise sobre a narrativas dos filmes, sobre planos longos, o ritmo, o som, o
espaço e o tempo. Alguns chegam abordar questões questões teóricas e
filosóficas que envolvem seu ofício tais como: o cineasta faz o filme, ou o
filme faz o cineasta?


"Um Filme de Cinema" traz ainda uma divertida participação do escritor
Ariano Suassuna, que recorda sua relação com o cinema na infância,
contando uma história de quando viu um filme de terror com sua tia,
"ligeiramente iletrada", Também aparece o ator italiano Salvatore Cascio,
revisitando locações do clássico Cinema Paradiso (1988), onde ele
interpretou o garotinho Totó.


Duração: 1h48min

Cotação: ótimo
Chico Izidro

“O Acampamento” (Killing Ground)



“O Acampamento” (Killing Ground), direção de Damien Power, tem uma trama muitas vezes já vista em filmes de terror: um casal decide passar um final de semana acampando e acaba dando de cara com caçadores psicopatas. Mas da forma como este longa é contado, esquecemos esta premissa. O filme faz looping no tempo, indo e voltando, até nos darmos conta do que está acontecendo.

Na trama, o casal Ian (Ian Meadow) e Samantha (Harriet Dyer) vai acampar perto de uma cachoeira no interior australiano às vésperas do Ano Novo. Quando eles chegam ao local, encontram uma barraca vazia, mas não acham nada estranho. Até que o casal depara com um bebê sozinho. E logo aparecem em cena os caçadores Chook (Aaron Glenane) e German (Aaron Pedersen). São dois personagens com fortes tendências homicidas – e aviolência que eles vão gerar é totalmente gratuita, sem nenhuma explicação. É pelo simples gosto por matar.

Aos poucos, o espectador vai ficando a par do que aconteceu com as pessoas que estavam na barraca abandonada. O filme vai e volta no tempo, embaralhando por gosto os fatos. E essa alternância é que faz a história ser forte e impactante, quebrando o fato de ser comum e com tema batido.



Duração: 1h29min

Cotação: ótimo

Chico Izidro

"Os Guardiões" (Zaschitniki)



Um filme de super-heróis vindo da Rússia. Não é sempre que isso acontece.
Talvez por isso até acabe criando expectativas, que no final se fazem
frustradas, tal precariedade da obra cinematográfica. "Os Guardiões"
Zaschitniki), dirigido por Sarik Andreasyan, apresenta um grupo de
pessoas com poderes especiais - eles tiveram seu DNA modificado durante
a Guerra Fria. Com o final da União Soviética, acabaram relegados ao
esquecimento e até mesmo vivendo clandestinamente.


Até que anos depois, uma ameaça aparece sobre a Rússia na figura do
cientista que, coincidentemente, foi o criador do grupo. Ele quer destruir o
país, e o governo vai atrás de Arsus, Khan, Ler e Xenia, para que eles
possam parar o cientista maluco, Kuratov. Cada um deles possui uma
habilidade especial: Arsus se transforma em um urso, Khan é hábil com
espadas, Ler controla objetos inanimados e Xenia pode se tornar invisível.


Mas além do filme ser dublado em inglês, e muito mal - o original é em russo
-, tudo é tão apressado, com cenas rápidas e pessimamente editadas. os
diálogos e as posses que fazem os personagens também são patéticas. A
chefe dos super-heróis caminha como se estivesse numa passarela, para
repentinamente e faz biquinho para a câmera. Risível. Patético.

Duração: 1h29min

Cotação: ruim
Chico Izidro

Thursday, August 24, 2017

"Bingo - O Rei das Manhãs"



Até o momento, o melhor filme nacional do ano para mim. "Bingo - O Rei das Manhãs", dirigido por Daniel Rezende, conta a biografia do palhaço Bozo, mas como o nome é de propriedade norte-americana, optou-se por um nome genérico, Bingo, que é interpretado por Vladimir Brichta. A trama é levemente inspirada na vida de Arlindo Barreto, um dos atores que interpretou o Bozo na TV, mas utilizando um pouco de licença poética.

Aqui Arlindo Barreto vira Augusto Mendes (Brichta) e é mostrada sua ascensão, queda e renascimento. Ator de pornochanchadas nos anos 1970, o ator deseja algo maior e visa participar de novelas, mas ganha apenas papéis secundários. Descontente, busca algo maior, e acaba encontrando vaga como o palhaço num programa norte-americano que será produzido no Brasil - o palhaço Bozo, aqui no caso Bingo. Mas apesar de começar a ganhar muito dinheiro, as coisas não ficam do agrado do ator, pois ele assinou um documento onde não pode assumir ser o famoso palhaço que vai alegrando as manhãs da televisão brasileira. Afinal, o intérprete de Bingo é um ilustre desconhecido. E junto com isso vem a depressão, as bebidas e as drogas.

A trama foca também em personagens coadjuvantes, como o filho de Mendes, que vai ficando escanteado quanto mais cresce a fama do pai, mesmo que sem ser reconhecido. Ou da produtora do programa, Lúcia, vivida por Leandra Leal, uma mulher religiosa e que resiste as investidas de Bingo. Tem ainda o câmera Vasconcelos (Augusto Madeira), parceiro das farras de Mendes.

"Bingo - O Rei das Manhãs" tem cenas memoráveis, muitas delas calcadas na realidade. Quando por exemplo, Bingo chama um garoto no palco e este o manda tomar naquele lugar. Ou para derubar a concorrente, não citada, mas claramente deve ser Xuxa, ele convoca a cantora rebolativa Gretchen (Emanuelle Araújo) para "cantar" no seu programa - os dois chegam às vias de fato num banheiro. Ou ainda o momento em que estava cheirando cocaína no camarim e teve de correr para o palco e o nariz ficou sangrando.

Brichta está sensacional como Bingo. Ele transmite muito bem o peso de um ator que está sempre em forte conflito, pois ao mesmo tempo que comanda um programa líder de audiência, fatura milhões com vários produtos - cadernos, lancheiras, livros, ninguém sabe quem ele é. Afinal, de que vale a fama se ninguém sabe? Um filmaço. Que tem ainda uma trilha sonora totalmente anos 1980, com Echo and the Bunnymen, Tokyo (a banda de Supla), Metrô, Dr. Silvana & Cia, Titãs e Roupa Nova. De fazer chorar.

Duração: 1h53m

Cotação: excelente
Chico Izidro

"O Castelo de Vidro" (The Glass Castle)





A história real de uma família completamente disfuncional é contada em "O Castelo de Vidro" (The Castle Glass), dirigido por Destin Daniel Cretton. O filme é baseado no livro autobiográfico da jornalista norte-americana Jeannette Walls, e apresenta atuações espetaculares de Woody Harrelson, Brie Larson e Naomi Watts. A história compreende três décadas, entre os anos 1960 e 1980. "O Castelo de Vidro" tem grandes semelhanças com outro filme lançado este ano, "Capitão Fantástico", com Viggo Mortensen.

Walls foi criada junto com três irmãos e seus pais sem criar vínculos em lugar nenhum. O pai, Rex (Harrelson) não acreditava nas instituições e ao menor sinal de algo que não fosse de seu interesse, todos partiam para um novo lar - geralmente casas abandonadas em cidadezinhas do interior dos Estados Unidos. Mas Rex também era um homem ególatra, alcoolatra e sonhador - ele fazia crer aos filhos de que iriam se estabilizar em algum ponto do país e construíriam o tal castelo de vidro do título.

A trama é contada em vários momentos - com Jeannete já adulta, pronta a se casar com um yuppie (estamos nos anos 1980), e com vários flash-backs, que vão contando aos poucos a história tumultuada dos Walls.

Woody Harrelson tem uma das melhores atuações de sua carreira, e Brie Larson também está muito bem no papel de Jeanette. A química deles é excepcional e todo o conjunto familiar funciona muito bem. Talvez a exceção seja a de Max Greenfield, do seriado "New Girl", quie faz o noivo de Jeannete, e é completamente estereotipado.

Duração: 2h07min

Cotação: ótimo
Chico Izidro

"Bye Bye Alemanha" (Bye Bye Germany | Es war einmal in Deutschland...)



Mais um filme sobre o Holocausto, nesta caso sobreviventes. "Bye Bye Alemanha" (Bye Bye Germany | Es war einmal in Deutschland...), do cineasta Sam Garbarski e baseado no romance de Michel Bergmann, mostra a vida de David Berman(Moritz Bleibtreu), que conseguiu sobreviver aos campos de extermínio nazistas. Estamos em 1946 e a Alemanha está destroçada pela guerra. Os judeus que escaparam da morte querem deixar o país, de preferência embarcando para a Palestina ou os Estados Unidos.

David reúne seis amigos, todos judeus, e necessitando de muito dinheiro para poder emigrar, eles começam a vender roupas de cama para os alemães. Só que as coisas não serão assim tão fáceis. Logo, Berman começa a ser investigado por uma oficial das forças de ocupação, Sara Simon (Antje Traue). A suspeita é de que ele, no tempo em que ficou preso num campo de concentração, teria se aliado aos nazistas. David Berman, inclusive, teria sido contatado para ensinar piadas ao ditador Adolph Hitler - ele conta que realmente chegou a estar perto do ditador, mas tinha planos de matá-lo.

Enfim, o filme apresenta ótimos momentos cômicos e também conflituosos, trazendo ainda um personagem muito espirituoso e inteligente, mas também com traços misteriosos. "Bye Bye Alemanha" é uma boa comédia com uma ótima performance do ator Moritz Bleibtreu.

Duração: 1h42min

Cotação: ótimo
Chico Izidro

"Na Mira do Atirador" (The Wall)



Um soldado americano fica encurralado atrás de um pequeno muro num vilarejo iraquiano, enquanto um franco-atirador rebelde espera o momento de matá-lo. Um thriller forte e angustiante é "Na Mira do Atirador" (The Wall), dirigido por Doug Liman, que também esteve no comando de "Identidade Bourne" e "Sr . e Sra. Smith".

A história mostra o sargento americano Allen Isaac(Aaron Taylor-Johnson), em meio a uma missão no Iraque. Ele e um colega, o também sargento Shane Matthews (John Cena), ficam a sós com um sniper iraquiano – mas em disputa assimétrica: o iraquiano podia vê-los, mas eles não enxergavam ver o iraquiano, escondido num ponto estratégico.

Os momentos são tensos. Após acertar Shane, o sniper faz um jogo de gato e rato com Isaac. Ao invés de alvejá-lo, o iraquiano passa a conversar com Isaac (através de seu walkie-talkie, que foi rastreado pelo calculista atirador asiático). E detalhe: o rosto do atirador nunca é mostrado, só escutamos a sua voz. E os dois acabam tendo um embate quase filosófico, sobre o que fazem ali naquela guerra, as consequências dela para cada país, por que ela começou, qual o sentido de ela continuar. E a única proteção que Isaac possui é um pequeno muro feito de tijolos.

Mas a obra não é apenas de suspense, por trás da trama existe toda uma discussão sobre imperialismo norte-americano. Tanto que o filme não se chama "The Wall" ou "O Muro" no original, de graça. Este muro pode ser interpretado como aquele que separa os norte-americanos dos outros povos.

Duração: 1h28min

Cotação: ótimo
Chico Izidro

"A Torre Negra" (The Dark Tower)



"A Torre Negra" (The Dark Tower), dirigido pelo cineasta dinamarquês Nikolaj Arcel, é uma adaptação de uma série de oito livros, que misturam fantasia e faroeste, escrito pelo mestre do terror Stephen King. E o resultado acaba sendo, mesmo, me desculpem o trocadilho, um terror, no mau sentido. A obra de King já rendeu filmes fantásticos no cinema, desde Carrie – A Estranha (1976), passando por Louca Obsessão (1990), Um Sonho de Liberdade (1994) e À Espera de um Milagre (1999), e O Nevoeiro (2007). Eu sinceramente não gosto de "O Iluminado", de Stanley Kubrick, que para mim ficou muito aquém do livro.

Mas vamos para "A Torre Negra" (The Dark Tower), que traz o adolescente Jake (Tom Taylor), que tem sonhos muito estranhos com um local dominado por um homem de preto, Walter, (Matthew McConaughey), uma figura demoníaca, que atormenta seu subconsciente. Este personagem planeja dominar o mundo e para isso pretende soltar forças das trevas no planeta. Jake começa a ser visto como maluco, pois faz desenhos sinistros sobre seus sonhos, e ninguém acredita nele. Quando está para ser internado, o garoto foge e acaba entrando na tal dimensão dominada por Walter. Para combater o vilão, ele ganhará a ajuda do Pistoleiro Roland (Idris Elba).

O problema é que o filme não funciona de jeito nenhum. Tudo é feito de forma truncada, sem criatividade - e nem mesmo os efeitos especiais salvam. Os atores parecem estar atuando no piloto automático, aparecendo ali apenas para pagar o aluguel no final do mês.

Duração: 1h35min

Cotação: ruim
Chico Izidro

Thursday, August 17, 2017

"Afterimage"



A história do artista plástico e professor polonês Wladyslaw Strzeminski me era desconhecida. E sua vida acabou sendo o testamento final do grande cineasta Andrzej Wajda, que nos deixou em 2016, após passar boa parte de sua carreira contando em espetaculares filmes a história da Polônia em seu século XX, marcado por invasões russas e alemãs, e os domínios nazistas e depois comunista em seu país.

Wladyslaw Strzeminski (em atuação espetacular de Boguslaw Linda), era um artista polonês que tinha deficiências físicas tremendas - havia perdido o braço esquerdo e a perna direita na I Guerra Mundial -, mas nunca se rendeu, sempre se superando. Após a II Guerra Mundial, ele ministrava aulas na Faculdade de Lodz, mas logo começou a ser perseguido pelas autoridades comunistas, que não aceitavam sua independência. Além do que, Strzeminski se negava a trabalhar apenas com a arte conceitual comunista.

Aos poucos, Strzeminski começou a ter dificuldades para dar suas aulas ou mesmo de trabalhar. As autoridades chegaram a impedir que ele até mesmo comprasse tintas e pincéis para fazer suas obras, visto que havia sido expulso do Sindicato dos Artistas Poloneses. Strzeminski se virava dando aulas particulares ou vivendo da ajuda de amigos e ex-alunos para poder até mesmo comer.

A visão que Wajda mostra da Polônia comunista não é nada dievrtida. Um país cinzento, atrasado, reacionário. Grande obra final do mestre do cinema polonês. Polanski está em segundo.

Duração: 1h38min

Cotação: ótimo
Chico Izidro

"Annabelle 2 - A Criação do Mal" (Annabelle: Creation)



Depois de "Invocação do Mal" (2013), "Annabelle" (2014) e "Invocação do Mal 2" (2016), "Annabelle 2: A Criação do Mal" (Annabelle: Creation) é o novo filme da saga que tem como 'protagonista' a assustadora boneca, e é dirigido por David F. Sandberg. Neste novo longa, é contada a história da origem do brinquedo possuído por forças do mal.

"Annabelle 2 - A Criação do Mal" tem como núcleo central uma freira e um grupo de meninas órfãs, que vão morar na casa de Samuel Mullins (Anthony LaPaglia, da finada série Without a Trace). Aliás, ele é o artesão que criou a boneca, e agora vive isolado ao lado da mulher, Esther (Miranda Otto), numa propriedade no meio do nada em um lugarejo no interior dos Estados Unidos. O começo do filme mostra a construção da boneca e a vida que Samuel e Esther viviam ao lado da filha pequena, que acaba morrendo em um trágico acidente.

No decorrer do filme será explicado o motivo de a boneca se transformar em obra do mal - enlutados, Samuel e Esther meio que invocaram o espírito da filha, que retornou, mas possuído pelo demônio, que acabou se transferindo para Annabelle. E claro que a boneca vai atormentar as órfãs, principalmente Janice (Talitha Bateman), que sofre de poliomelite e tem dificuldades para andar, e a esperta Linda (Lulu Wilson).

Tudo começa a dar errado quando Janice não respeitas as regras impostas por Samuel - "nunca entre naquele quarto". Claro que a garotinha vai entrar...e abrir a porta do inferno!!!

O filme dá bons sustos, deixa todo mundo tenso, e também introduz novo personagem aterrorizante, um espantalho. Às vezes acaba lembrando dois assustadores filmes de terror, "Chucky - O Brinquedo Assassino" e "Olhos Famintos". "Annabelle 2 - A Criação do Mal" não é ruim, mas está longe de seus antecessores.

Duração: 1h50min

Cotação: bom
Chico Izidro

"Eva Não Dorme" (Eva no duerme)




Que filme interessante é "Eva Não Dorme" (Eva no duerme), dirigido por Pablo Aguero, conta a disputa pelo corpo de Evita Perón. A primeira dama argentina, casada com Juan Domingo Perón, morreu jovem, aos 33 anos, em 1952, vítima de câncere no útero. Ela era amada pelos argentinos por sua luta pela melhoria de vida da população. Também foi atriz e era uma figura extremamente carismática.

Ao morrer, o seu marido decide embalsamar o corpo de Evita, e expô-lo a visitação pública. Porém, três anos após sua morte, os militares dão um golpe de estado e depõem. Para apagar seu governo e principalmente a influência de Evita, os novos governantes do país decidem sumir com seu corpo, enviando-o para a Europa. Aguero, de forma ficcional, conta como foram os trâmites para o sumiço do corpo embalsamado dela. Durante 25 anos, os argentinos se debateram para saber o que havia acontecido com ele.

O filme une ficção com algumas cenas reais e impressionantes, para ilustrar o período da morte de Evita, mas o que vemos não é um documentário ou uma cinebiografia. A premissa do filme, são os eventos que sucedem a morte da Primeira Dama e a disputa pelo corpo embalsamado dela. Alguns momentos são deslumbrantes, como uma entre um general e um motorista, que discutem e chegam as vias de fato para saber o que fazer com o corpo da ex-primeira dama.

Em “Eva Precisa Dormir” todos que surgem em cena estão excelentes, entregues em seus papéis. A narração é feita por Gael Garcia Bernal, que faz o papel de um militar envolvido no sequestro do corpo. Além disso, o diretor não se propõe a endeusar Evita, mas retrata uma época difícil no país vizinho, das tantas por que eles passaram.

Duração: 1h27min

Cotação: ótimo
Chico Izidro

"Corpo Elétrico"



"Corpo Elétrico", dirigido por Marcelo Caetano, é um filme com forte temática gay, centrada no jovem paraibano Elias (Kelner Macêdo), que trabalha numa confecção de roupas no centro de São Paulo. Afastado dos seus familiares, sua vida se resume ao trabalho e a encontros com outros homens em motéis na capital paulista.

As cenas de intimidade homossexuais são fortes, mas passando longe da pornografia barata. No entanto, não são para qualquer espectador. E em cada momento dos relacionamentos esparsos de Elias, ele escuta as histórias de vida de seus companheiros. Aos poucos, o rapaz vai fazendo amizades na fábrica onde trabalha - boa parte da segunda parte do filme se centra em festas e encontros dos colegas em várias partes da cidade.

"Corpo Elétrico", no entanto, apesar de exaltar a homossexualidade de seus personagens, derrapa ao não mostrar conflitos. Afinal, todo mundo aceita de boa seus colegas gays, que não sofrem perseguições e nem bullying. Enfim, falta conflito, o que sabemos é totalmente fora da realidade.

Duração: 1h34min

Cotação: regular
Chico Izidro