Thursday, April 19, 2018

"7 Dias em Entebbe" (7 Days In Entebbe)



Este é o segundo filme hollywoodiano do brasileiro José Padilha, de "Tropa de Elite" e do tão criticado e não sem motivo seriado "O Mecanismo". Em 2014 ele realizou uma nova versão de "Robocop", e agora solta outra versão do sequestro de um avião da Air France em 1976 por terroristas alemães e palestinos e que a bordo levava quase 100 cidadãos israelenses, "7 Dias em Entebbe" (7 Days In Entebbe).

A primeira versão para o incidente foi feito a toque de caixa em dezembro daquele mesmo ano e foi batizado de "Vitória em Entebbe", e tinha em seu elenco Anthony Hopkins, Liz Taylor, Linda Blair, Kirk Douglas e Burt Lancaster. Bem, agora "7 Dias em Entebbe" (7 Days In Entebbe) mostra o sequestro que começou no final de junho e foi finalizado no início de julho. Padilha é correto na reconstituição de época e dos fatos, mas não se prendendo muito na vida dos reféns, se atendo mais aos terroristas alemães, do grupo Baader-Meinhof, Wilfried Böse (Daniel Brühl) e Brigitte Kuhlmann (Rosamund Pike), que aceitaram fazer o sequestro pois não tinham mais sentido em suas vidas depois que os líderes de seu grupo foram presos (Ulrike Meinhof se matou um mês antes do sequestro na prisão e Andreas Bernd Baader morto na cadeia um ano depois). Os dois, porém, sofriam com o que o mundo poderia pensar - dois alemães sequestrando e matando judeus? Tudo o que eles não queriam era ser comparado aos nazistas, que abominavam).

Eles sequestraram o avião da Air France que partira de Atenas com destino a Tel Aviv, tendo 248 passageiros a bordo e mais os tripulantes. Os terroristas levaram a nave para um terminal desativado do aeroporto de Entebbe, em Uganda, à época nas mãos do ditador Idi Amin Dada (Nonso Anozie, do seriado Zoo), que cínico, jogava para os dois lados, mas pensando apenas em divulgar seus "feitos" para o mundo - entre outras coisas, ele mandava seus inimigos para o poço dos crocodilos e também praticava canibalismo!

O ritmo do longa é lento, mostrando ainda as ações do gabinete israelense, comandado à época pelo primeiro-ministro Yitzhak Rabin e o ministro da defesa Shimon Peres. A ação fica mais para o final, e tem poucos minutos, com o comando israelense invadindo o aeroporto e salvando os reféns - morreram todos os terroristas, 45 soldados ugandeses e 4 reféns - Padilha não cita, mas uma cidadã israelense havia passado mal e levado para o hospital, onde seria assassinada dias depois.

Ainda o que se destaca é a apresentação de um grupo de dança, com as imagens intercaladas com os acontecimentos na África. Os israelenses e isto não é spoiler, é fato, obtinham mais um sucesso em um plano de risco - nunca é demais lembrar da captura do nazista Adolf Eichmann em Buenos Aires em 1960!

Duração: 1h47
Cotação: bom

Chico Izidro

"De Encontro com a Vida" ( Mein Blind Date mit dem Leben)




Dirigido por Marc Rothemund (diretor de "Os Últimos Dias de Sophie Scholl - Uma Mulher Contra Hitler", "De Encontro com a Vida" (My Blind Date With Life), é uma divertida comédia, que pelo que mostra após os créditos, foi baseada em fatos reais.

E mostra que os alemães também sabem fazer rir. E aqui as coisas vão ao absurdo, mostrando o jovem descendente de turcos Sally (Kostja Ullmann), que vive em Munique. Quando está terminando os estudos e já pensando na vida profissional - seu desejo é trabalhar em um dos principais e mais chiques hotéis da cidade -, ele começa a perder a visão.

Após análise médica, Sally descobre, que infelizmente, possui uma grave doença genética, que tirará 95% de sua visão. Ou seja, fica praticamente cego. E não existe remédio nem óculos para ajudar. Mesmo assim, ele decide se candidatar a vaga no hotel, mas escondendo o fato de sua cegueira para todos. O único que sabe seu segredo é o colega Max (Jacob Matschenz), que passa a ajudá-lo.

A sacada do filme é mostrar o que Sally faz para escapar das agruras de sua falta de visão. Ele tem de, por exemplo, aprender a contar os passos entre a porta e uma mesa. O problema é que ele tem no seu pé o sádico gerente Kleinschmidt (Johann von Bülow, dos filmes de guerra Frantz e 13 Minutos). O final é meio adocicado, mas não perde força. E dá para rir muito das situações.

Duração: 1h51
Cotação: bom

Chico Izidro

"Submersão" (Submergence)



de Wim Wenders nos anos 1980 como "Asas do Desejo", "Paris, Texas" e "O Estado das Coisas", vai se decepcionar com este seu novo filme, "Submersão" (Submergence), protagonizado por Alicia Vikander e James McAvoy. O longa é baseado no homônimo romance do britânico J. M. Ledgard.

Danielle Fliders (Vikander) é biomatemática e exploradora das profundezas do oceano, e conhece James More (McAvoy) em um hotel no litoral inglês. Os dois pouco a pouco iniciam um romance - e a química entre eles funciona muito bem, com bonitas cenas românticas. Mas More é um espião que se passa por engenheiro e se prepara para uma missão na Somália, na investigação de um grupo terrorista islâmico.

A história se cruza em dois momentos. Num deles, mostra More prisioneiro dos jihadistas, sofrendo torturas para revelar quem realmente é, enquanto que do outro lado do mundo Danielle sofre para saber onde foi parar o amado, que não se comunica com ela. E em outro momento, é mostrado o relacionamento do casal, sendo que ela se prepara para uma expedição nas profundezas das águas da Groelândia.

Só que o filme naufraga, apesar da bela fotografia. É sem ritmo, meio confuso. Talvez funcionasse melhor se tivesse sido contado de forma mais convencional, sem tantas idas e voltas.

Duração: 1h52
Cotação: regular

Chico Izidro

"Exorcismos e Demônios" (The Crucifixion)



Simplesmente um desperdício de tempo assistir a este filme de terror "Exorcismos e Demônios" (The Crucifixion), direção de Xavier Gens, e rodado na Romênia, terra do Conde Drácula, como lembra muito bem um dos personagens durante determinada cena. Mas aqui nada acontece até muito perto de seu final e é mais uma ladainha religiosa, de que deus existe e só ele pode salvar os incréus...zzzzzzzz
Tudo começa quando a jovem jornalista e ateia Nicole (Sophie Cookson, de Kingsman) descobre um caso de exorcismo no interior da Romênia, onde uma jovem acabou morrendo nas mãos de um padre, que foi condenado a prisão. Por razões não explicadas, ela convence o seu chefe de redação em Nova Iorque a viajar para escrever sobre os acontecimentos.

Já no leste europeu, a jovem vai tentando entrevistas as testemunhas do incidente, enquanto que à noite passa a ser assombrada por criaturas que surgem em seu quarto de hotel. E um jovem padre, Anton (Corneliu Ulici) passa a tentar doutrinar a jornalista, de que ela só será salva se passar a acreditar no salvador...blá, blá, blá

Incrivelmente, Nicole começa a solucionar o caso apenas lembrando de frases ditas pelo padre Anton! Outra coisa incrível é que todo mundo na Romênia fala inglês perfeitamente - um dos personagens é perguntado por Sophie se fala inglês. Ele responde "a little" e sai falando inglês normalmente, como se tivesse nascido na Inglaterra!!!

Sophie Cookson se mostra uma péssima atriz, sem o menos estofo para protagonizar um filme. Sua expressão nunca muda, seja bebendo, comendo ou vivendo uma situação de risco. Seu carisma é zero. E os diálogos...feitos por um amador.

Duração: 1h23
Cotação: ruim

Chico Izidro

Thursday, April 12, 2018

"1945"



O filme "1945" é baseado no conto “Hazatérés” de Gábor T. Szántó, que assina o roteiro com o diretor e Ferenc Török, e fala dos horrores da Segunda Guerra Mundial, mas sem ser explícito. Todo filmado em preto e branco, remete a nossa memória as imagens que nos acostumamos de ver no período, monocromáticas.

Toda a trama ocorre em apenas um único dia daquele ano, o último do conflito, mais exatamente em 12 de agosto, num povoado do interior da Hungria. Os moradores se preparam para o casamento do filho do tabelião da cidade, ou seja, a maior autoridade local, agindo como o dono de todos. Então eis que desembarcam dois judeus, o pai e o filho, portando duas caixas misteriosas. É o estopim para uma série de acontecimentos nas próximas horas.

Naquele período pós-guerra, e foi muito comum, os judeus sobreviventes do Holocausto, ao retornarem para seus lares, acabavam descobrindo que suas casas e pertences haviam sido tomados pelos moradores gentios. Muitos judeus acabaram assassinados ao tentar recuperar seus bens. A outros restou emigrar para outros países, de preferência a Palestina.

Pois os moradores do vilarejo húngaro têm culpa no cartório, e começam a acreditar que os dois judeus vieram retomar o que lhes era de direito. Assim, passam a jogar a culpa uns nos outros ou se sentirem culpados, como o bêbado da cidade, que tenta se confessar, mas até o padre está envolvido na conspiração que eliminou os judeus da localidade. "1945" é uma obra onde não aparecem nazistas e suas metralhadoras, onde não aparecem as câmaras de gás, mas a sombra deles está lá presente, mostrando que muita gente teve culpa num dos maiores crimes já praticados pela humanidade.

Duração: 1h31
Cotação: ótimo

Chico Izidro

"Severina"



"Severina" é um filme dirigido por um brasileiro, Felipe Hirsch, cuja história transcorre em uma livraria, mais exatamente um sebo, em um bairro de uma cidade uruguaia, cujo nome não é mencionado. A obra é para quem ama livros e não consegue viver sem eles, apesar de os mais afoitos apostarem em seu desaparecimento.

E tal como a menina que roubava livros na Alemanha nazista em "A Menina Que Roubava Livros", a protagonista de "Severina", Ana (Carla Quevedo), também pratica o furto de livros em livrarias. E ela escolhe uma mais específica, onde o dono, que não tem nome, mas é vivido pelo ator argentino Javier Dolas, costuma reunir amigos para leituras de obras. O local é velho, quase sempre vazio, e também servindo de moradia para o livreiro.

E ele flagra Ana roubando alguns livros, mas vai deixando, para ver onde aquilo vai parar. Até o dia que se cansa da cara de pau da menina e a confronta. Para descobrir que ela é problemática, mas também apaixonante - todos os livreiros de que ela roubou caíram de amores por Ana, que mora com alguém mais velho - seria o pai, o amante? Isso nunca fica claro.

O filme apresenta um certo suspense - onde aquela relação vai parar. Mas também é uma ode aos livros e o fascínio que ele provoca nas pessoas - sou um viciado em livros, e não consigo imaginar trocar este objeto pelo mundo virtual. O cheiro, as dobras, as folhas amareladas pelo tempo. Nunca é enfadonho, e nos transporta a mundos mágicos.

Duração: 1h43
Cotação: bom

Chico Izidro

"Baseado em Fatos Reais" (D‘après une Histoire Vraie)



O octagenário cineasta polonês Roman Polanski, exilado na França por condenação por pedofilia nos EUA, permanece ativo, e agora com co-roteiro de Olivier Assayas, lança o thriller psicológico "Baseado em Fatos Reais" (D‘après une Histoire Vraie), inspirado no livro homônimo da escritora Delphine De Vigan.

A trama envolve outra escritora, Delphine (a mulher de Polanski, Emmanuelle Seigner), que lança um livro onde se inspirou na vida de sua mãe. O sucesso é imediato, mas ao mesmo tempo Delphine passa a receber cartas acusatórias de que ela teria se aproveitado da fraqueza da mãe e de outros familiares para obter êxito. Eis que então surge a fã Elle (Eva Green), que como um anjo da guarda passa a cuidar da vida de Delphine - mas o tempo todo parece que a jovem esconde algo, além do que passa a se intrometer inteiramente na vida de Delphine.

Tudo bem que a escritora está em crise, é frágil, mas o roteiro é meio preguiçoso, e deixa uma mulher independente totalmente a mercê de outra - mesmo que Elle deixe rastros de que deseja algo mais, Delphine nada faz...os clichês acabam tomando conta da tela de uma forma absurda. Apesar disso, a dobradinha Emmanuelle Seigner e Eva Green consegue mostrar força, muito mais pela sua atuação do que pelo roteiro.

Duração: 1h40
Cotação: regular

Chico Izidro

"Rampage - Destruição Total" (Rampage)




O novo filme protagonizado pelo astro Dwayne "The Rock" Johnson, "Rampage - Destruição Total" (Rampage), dirigido por Brad Peyton, é uma adaptação do jogo de vídeo-game homônimo, que mostra um gorila, um crocodilo e um lobo atacando e destruindo algumas cidades dos Estados Unidos, aqui se focando mais em Chicago.

As criaturas, George (o gorila), Ralph (o lobo) e Lizzie (o réptil) possuem tamanho normal, mas devido a um acidente químico, acabam ganhando proporções gigantescas e ganham muito em agressividade. Aí eles saem por aí destruindo e matando todo mundo que cruza na frente deles. Para tentar barrá-los aparece o primatologista Davis Okoye (Johnson), que ao lado da cientista Kate Caldwell (Naomie Harris) tentará parar a destruição.

E os dois têm de lutar contra dois empresários que tem muita culpa no cartório ao provocarem a experiência que transformou os animais. E também o exército, cujos militares são os estúpidos da vez - eles sabem que não adianta nada usar metralhadoras contra os monstros, mas insistem na prática.

O filme, recheado de clichês, fica parecendo uma mistura de Godzilla com King Kong e The Walking Dead - sim, o ator Jeffrey Dean Morgan, que interpreta o agente do FBI Russell, parece não ter desencarnado do seu personagem da série de zumbis, Negan. Ele simplesmente reprisa todos os toques, gestos e falas do vilão que persegue Rick. Ah, e os efeitos especiais de "Rampage - Destruição Total" são de doer.

Duração: 1h47
Cotação: ruim

Chico Izidro

"Covil de Ladrões" (Den Of Thieves)




"Covil de Ladrões" (Den Of Thieves) é a estreia na direção do roteirista Christian Gudegast, e foca em duas frentes - num grupo de ladrões de banco e nos policiais que tentam capturá-los. É um filme de ação, com cenas de tiroteio muito bem coreografadas, além do plano mirabolante da gangue.

A ação se passa em Los Angeles, onde uma equipe de assaltantes de bancos, formada por ex-militares, planeja um roubo que parece ser impossível: roubar o prédio do Federal Reserv dos Estados Unidos, mas não pegar o dinheiro vivo, mas sim aquele que é destruído diariamente, ou seja, não deixaria pistas para ser rastreado.

Só que do outro lado estão policiais que querem evitar o assalto, liderados pelo bruto Nick Flanagan (Gerard Butler), homem cheio de problemas, mas extremamente honesto.
O legal do filme é mostrar como vivem os dois grupos - os ladrões têm família normal e sonham se aposentar com o roubo milionário e deixar os seus confortáveis. Já os policiais vivem na noite, bebendo e aprontando.

A trama é boa, lembrando muito o clássico noventista "Fogo Contra Fogo" com Al Pacino e Robert de Niro - o policial sabe da tramoia do bandido e passa a cercá-lo para encontrar uma brecha e brecar o roubo. E a cena final é excepcional, com um tiroteio muito bem coreografado, como escrevi antes.

Duração: 2h20
Cotação: ótimo

Chico Izidro

Thursday, April 05, 2018

"Um Lugar Silencioso" (A Quiet Place)




Dirigido pelo ator John Krasinski (o Jim Halpert da versão americana da série The Office), "Um Lugar Silencioso" (A Quiet Place) é um baita filme de terror. Um dos mais tensos dos últimos tempos, quase todo ele sem diálogos e com uma trilha sonora marcante e angustiante. A trama se passa por volta de 2020, em um mundo completamente destruído, onde a população da terra foi dizimada por estrahos seres - não é explicado de onde surgiram as criaturas.

Para sobreviver, os poucos humanos não devem fazer nenhum tipo de barulho, que atrai os monstros imediatamente. Toda a história é centrada em uma família formada pelo pai (Krasinski), mãe (Emily Blunt), filho (o menino Noah Jupe, de Extraordinário) e filha (Millicent Simmonds, deficiente auditiva, que trabalhou em Sem Fôlego). Eles saem da cidade grande e se isolam em uma fazenda no interior, onde tomam todas as precauções para não serem atacados.

Krasinski, porém, não limita sua obra simplesmente ao terror. Quase um filme mudo, trata ainda de reponsabilidade, paternidade, aceitação, gravidez (o casal perde um filho logo no começo do terror e para compensar, a mãe engravida novamente), mesmo com todos os riscos que um bebê possa trazer, pois entre outras coisas, vai chorar...pânico. Enfim, "Um Lugar Silencioso" é angustiante e apavorante, no sentido de provocar medo e tensão.

Duração: 1h30
Cotação: ótimo

Chico Izidro

"Ella e John" (The Leisure-Seeker)



A terceira idade, pintada nos filmes, costuma ser algo muito bonito, divertido. Não em "O Amor", de Michael Haneke, com um idoso convivendo com a esposa em estado senil, terminal. Bem, no road-movie "Ella e John" (The Leisure-Seeker), direção do italiano Paolo Virzi, baseado em romance de Michael Zadoorian, o clima tem uma levada mais de humor, mas também tem muita tristeza e desesperança.

A história mostra um casal juntos há 48 anos, Ella (Hellen Mirren, simplesmente fantástica) e John (Donald Sutherland), que vive as agruras da idade avançada. Ele dá os primeiros e fortes sinais do Mal de Alzheimer e ela tem câncer terminal. Os dois, um dia, decidem pegar o velho trailer guardado na garagem, batizado de “The leisure seeker” (título original do filme, algo como “em busca do lazer”), e partir para a Flórida. O objetivo é conhecer a casa em que viveu o escritor Ernest Hemingway, fixação da vida de John, um professor de literatura aposentado, e ainda amado pelos ex-alunos. Os filhos, já bem crescidinhos, ficam histéricos, exigindo que os pais retornem para casa e abandonem a aventura.

E pelo caminho, Ella e John vão viver as mais diversas situações - revelações do passado, parados pela polícia, assaltados na estrada, conhecendo pessoas pelo caminho, recheado de belas paisagens. E a trilha sonora é deliciosa, com clássicos dos anos 1960 e 1970, de Caroline King, passando por Janis Joplin, Chicago. Enfim, um belo road-movie, que mostra que devemos seguir nossos sonhos enquanto é tempo - às vezes uma loucurinha se faz mais do que necessária.

Duração: 1h53
Cotação: ótimo

Chico Izidro

"O Homem das Cavernas" (Early Man)



Não sei o que me incomodou mais durante a sessão em que vi "O Homem das Cavernas" (Early Man), direção de Nick Park. Assisti em uma cabine de imprensa, sessão especial para os críticos verem os filmes antes de eles serem lançados - e uma jornalista levou seu bebê de colo e a criança passou a hora e meia de duração do desenho chorando!!! Ou foi a história, que sei, sei, é uma animação, mas pelo menos visando as crianças, poderia respeitar um pouco a cronologia histórica. Afinal, acaba ensinando erroneamente.

"O Homem das Cavernas" é realizado com o stop-motion do estúdio britânico Aardman, responsável por animações fantásticas como "Fuga das Galinhas" e "Wallace e Gromit". Mas aqui deixa muito a desejar. Para começar, mostra a extinção dos dinossauros, mas já existiam humanos, que sobrevivem e vão viver em um vale isolado, e praticando futebol!!!

Aliás, o futebol é o centro da história, visto sob a ótica do neandertal Dug, que mora com a sua tribo em um vale originado pela queda do meteoro que dizimou os dinossauros. Mas um dia eles são expulsos por uma espécie de homens mais evoluídos, que vivem em uma sociedade organizada e que tem uma verdadeira seleção de futebol.

Para reaver suas terras, Dug propõe ao líder dos invasores fazer uma partida e quem vencer fica com o vale. É muita liberdade poética dos roteiristas Mark Burton e James Higginson. Mas o filme se mostra sem graça, sem o mínimo humor - "O Homem das Cavernas" acaba se tornando entediante e desinteressante seja para pais e filhos.

Duração: 1h30min
Cotação: ruim

Chico Izidro

"Com Amor, Simon" (Love, Simon)



Dirigido por Greg Berlanti (“Juntos Pelo Acaso”), “Com Amor, Simon” (Love, Simon), é a adaptação cinematográfica do livro ‘Simon Vs. A Agenda Homo Sapiens’, da escritora Becky Albertalli. Naquele clima das comédias juvenis dos anos 1980 dirigidas por John Hughes, esta obra é claramente uma propaganda homossexual. Uma das piadas do longa mostra os hetéros pedindo desculpas aos pais...por serem héteros!

A história fala sobre a descoberta da homossexualidade na adolescência, focando no jovem Simon (Nick Robinson), de dezessete anos e que tem uma vida aparentemente normal, não fosse pelo fato de ele esconder sua homossexualidade da família e amigos. Tudo muda quando ele se apaixona pelo desconhecido Blue, que postou em um blog do colégio um depoimento se assumindo gay. Simon começa a trocar mensagens com Blue, passando a tentar descobrir quem é a pessoa por trás do pseudônimo.

Uma boa sacada é mostrar que mesmo sendo gay, Simon não tem afetação e só quer ser aceito em seu meio social. Mas o filme também tem muitos pontos negativos, como o de não haver conflitos quando Simon revela sua opção - todo mundo acha a coisa mais normal do mundo - os amigos ficam magoados com ele não por ter escondido sua condição, mas sim por "tê-los usado" para tentar desvendar um mistério!

Duração: 1h50
Cotação: regular

Chico Izidro

"Stromboli" (Stromboli, terra di Dio)



"Stromboli" (Stromboli, terra di Dio), ou como sair de uma roubada e entrar numa bem maior, poderia ser o outro título desta obra de Roberto Rosselini, lançada em 1950. O clássico tem como protagonista Ingrid Bergman no papel da refugiada do leste europeu Karin, que poucos anos após o término da Segunda Guerra Mundial, encontra-se em um campo de refugiados na Itália. Seu desejo é imigrar para a Argentina, e enquanto espera os papéis, é cortejada por um soldado, Antonio (Mario Vitale), que está deixando as forças armadas e pretende voltar para casa, uma ilha na Sicilia.

Após ter o pedido de imigração recusada, Karin não vê outra opção e acaba aceitando o pedido de Antonio, mesmo sem sentir nada por ele. Os dois rumam, então, para Stromboli. Karin acha que vai encontrar uma ilha paradisíaca, mas está equivocada. Ao chegar, se depara com uma ilha com poucos habitantes, miseráveis, religiosas ao extremo, e ainda um vulcão prestes a entrar em erupção. Além disso, a única atividade do local é a pesca.

Logo Karin se dá conta do enrosco em que se meteu. Letrada, com uma personalidade avançada, ela começa a se sentir presa a um local que considera e é atrasado. Em Stromboli, as mulheres não tem voz e tem de obedecer aos maridos. E Karin, pelos seus hábitos, não é bem vista pela comunidade. A ideia dela passa a ser o de sair dali. Mas como?

O diretor Roberto Rosselini, que acabou se envolvendo com Ingrid Bergman, apesar de os dois à época, serem casados com outras pessoas, gerando uma crise profunda no meio cinematográfico, filmou a obra em locações naturais, no caso a própria Stromboli. Foram utilizados atores não profissionais nas filmagens - os próprios moradores da ilha representaram seus papéis. O diretor foi profundamente realista ao filmar o dia a dia dos ilhéus, com suas precárias condições de vida e seu cotidiano - como a pesca do atum e a erupção vulcânica, que ocorreu de fato durante as filmagens. E Ingrid Bergman é o destaque, com sua atuação natural e vigorosa, mesmo não dominando ainda o idioma italiano.

Duração: 1h57
Cotação: excelente

Chico Izidro

"Zama" (Zama)



Cineasta de produção esparsa, apenas quatro filmes em 16 anos, a argentina Lucrecia Martel lança o épico "Zama" (Zama), produção multinacional da qual faz parte também o Brasil. O longa tem como palco o final do Século XVIII, na América do Sul, onde Don Diego de Zama (Daniel Gimenez Cacho), oficial da coroa espanhola, está lotado em uma cidadezinha do interior argentino, mas querendo transferência para Buenos Aires.

A diretora mostra, com incrível reconstituição de época, aquele período turbulento, com negros escravos, índios discrimanados e selvagens, mas para defender seu território - é mostrada uma forte cena, onde os indígenas emboscam soldados brancos em um banhado.

Zama espera a sua transferência copm paciência, mas os anos passam e nada acontece. Até que um dia surge a oportunidade de chamar a atenção da coroa, unindo-se a um grupo de soldados que tenta capturar um perigoso bandido, Vicuña Porto, vivido por Matheus Nachtergaele.

Lucrécia Martel realiza, enfim, um filme que tenta mostrar a força do período colonial na América Latina, mas mostrando também a intrepidez de homens que não tinham medo em desbravar um continente ainda desconhecido, mas ainda rico - seria ao longo do tempo depenado pelos colonizadores. Uma obra muito realista.

Duração: 1h55min
Cotação: ótimo

Chico Izidro

"Jogador Nº 1" (Ready Player One)




Talvez eu seja a única pessoa no mundo que não esteja curtindo a nova obra de Steven Spielberg, "Jogador Nº 1". Um dos motivos é que nunca joguei vídeogame na vida, e não tenho o mínimo interesse. Então achei o filme chato, cansativo, interminável. E olha que gosto muito de Steven Spielberg!!!

A trama se passa em um futuro próximo, 2044, com o mundo devastado, e onde as pessoas, para fugir da realidade, prefere o mundo virtual, jogando o game Oasis, criado por um nerd solitário, James Halliday (Mark Rylance). Ao morrer, ele aparece em um vídeo dizendo ter montado um quebra-cabeça no jogo e quem o desvendar ganhará considerável parte de seu legado - ele ficou bilionário ao criar o Oasis.

O protagonista é o jovem Wade Watts (Tye Sheridan), órfão que mora com a tia, que vive arranjando namorados abusivos. O adolescente vive naquele mundinho virtual, sob o codinome Parzifal, mas terá de sair para o mundo para tentar desvender os segredos do Oasis. Neste ínterim, ele conhece a também jogadora Samantha, cujo avatar é batizado de Art3mis.

"Jogador Nº 1" é repleto de citações cinematográficas e pop, desde a abertura com a música Jump, do Van Halen, passando pelo carro que o avatar de Wade utiliza, o Delorean DMC-12, usado por Michael J. Fox em "De Volta Para o Futuro". Tem direito a tudo escondido na tela, como o Batmóvel, do seriado clássico do Batman com Adam West, King Kong, Parque dos Dinossauros...enfim, uma infinidade de surpresas, além dos excelentes efeitos especiais. Porém isso não é tudo...E aí começa aquela coisa de vídeogame - tiroteios, explosões, bombas, mais tiroteios, numa tortura interminável...Enfim, um porre!

Duração: 2h20min
Cotação: ruim

Chico Izidro

Friday, March 23, 2018

"A Melhor Escolha" (Last Flag Flying)



O excelente diretor Richard Linklater, de obras como "Boyhood", "Antes do Anoitecer", "Jovens, Loucos e Rebeldes" e "Escola do Rock", adapta agora o livro homônimo de Darryl Ponicsan (que assina o roteiro ao lado do cineasta). E ele é uma continuação do livro "The Last Detail", também escrito por Ponicsan, que virou filme em 1973, intitulado no Brasil de "A Última Missão", dirigido por Hal Ashby e protagonizado por Jack Nicholson.

Os três amigos são o ex-marinheiro Larry Doc Shepherd (Steve Carell), Sal Nealon (Bryan Cranston) e o reverendo Richard Mueller (Laurence Fishburne). O objetivo do encontro deles é enterrar o filho de Doc, morto enquanto servia na guerra do Iraque. Só que as coisas não serão tão fáceis, ainda mais porque eles querem saber como o rapaz morreu - e a informação é considerada confidencial pelos militares.

O ponto alto do filme é a excepcional química entre estes ótimos atores, todos tendo seus momentos para brilhar. E é incrível como Steve Carell, que brilhou como o chefe desnorteado da excelente série "The Office" vem crescendo como intérprete sério. Aqui no papel de um homem à beira da melancolia.
"A Melhor Escolha" ainda faz uma forte crítica ao militarismo norte-americano - que forma melhor para criticar a instituição, que parece só olhar para o seu umbigo, mostrando os três veteranos lembrando só de momentos ruins da época em que serviram? E o descaso com que a morte do filho de Doc é retratado...

Duração: 2h05min
Cotação: ótimo

Chico Izidro

"O Caso do Homem Errado"




Nossa, já se passaram mais de 30 anos. Ao terminar de ver o documentário, fiquei tentando lembrar aonde eu me encontrava naquele maio de 1987. "O Caso do Homem Errado", dirigido pela jornalista Camila de Moraes, narra a história do jovem operário negro Júlio César de Melo Pinto, que foi executado pela Brigada Militar.

Ele saiu de casa sem avisar a mulher, Juçara, e se juntou a populares que acompanhavam os acontecimentos ocorridos em um assalto a um supermercado próximo a avenida Bento Gonçalves, em Porto Alegre - a polícia chegou ao local enquanto os assaltantes ainda estavam dentro do local e com duas crianças como reféns. Então ao serem presos e sendo levados para a viatura, passaram próximo a Júlio César, que tinha um histórico de convulsões, e com o tumulto, teve um ataque epilético. Ele caiu e alguém gritou: "Ele também". O fotógrafo de Zero Hora, Ronaldo Bernardi, que acompanhava toda a movimentação, fotografou Júlio sendo colocado na viatura, um fusca, apenas com um sangramento na boca. Bernardi decidiu seguir o carro até o Hospital de Pronto Socorro para registrar a chegada de Júlio César. E quando, meia hora depois, os PMs chegaram, lá estava Júlio César morto, com dois tiros. Como isso aconteceu? Enfim, foi uma execução de um inocente.

O documentário busca o do próprio Ronaldo Bernardi, os amigos Waldemar de Moura Lima (o Pernambuco), professor; Paulo Ricardo Moraes (o Baiano), jornalista; Jair Krischke, ativista dos Direitos Humanos; Luiz Francisco Correa Barbosa, ex-Procurador da República, e Renato Dornelles, jornalista, e João Carlos Rodrigues, jornalista. Todos estiveram envolvidos com a tentativa de solucionar o crime.

A produção também teve o cuidado de encontrar a esposa de Júlio César, apelidado de Boneco. Juçara Pinto, então com 24 anos, reconstitui aqueles dias fatídicos. Ela ficou três dias sem saber aonde estava o marido, e até hoje, passados 30 anos do assassinato de Júlio, ainda não foi indenizada. Uma obra fundamental, e passados todos estes anos, é incrível notar que muita coisa não mudou.


Duração: 1h26min
Cotação: ótimo

Chico Izidro

“Círculo de Fogo: A Revolta” (Pacific Rim Uprising)



“Círculo de Fogo: A Revolta” (Pacific Rim Uprising), que registra a estreia de Steven S. DeKnight (roteirista dos seriados “Demolidor” e “Spartacus”) na direção, é a sequência do filme de 2013 dirigido pelo agora oscarizado Guillermo Del Toro, por “A Forma da Água”, trazendo de novo à tela robôs gigantes lutando contra monstros saídos das profundezas dos mares através de fendas – bem naquele estilo consagrado por Godzilla. Além do que é um filme que contempla várias etnias, e feito com a colaboração da China, um dos maiores mercados do mundo na atualidade.

A história ocorre dez anos após os eventos do primeiro filme, que tinha como herói Stacker (Idris Elba), que morria no final. Agora, o seu filho, o desgarrado Jake Pentecostes (John Boyega), que estava se encaminhando para o lado do crime, acaba sendo reconduzido pelos militares para pilotar os robôs conhecidos como Jaeger, devido ao risco de nova invasão dos kaijus as cidades.

Para quem gosta de pancadaria, é uma boa pedida. Muitas lutas, destruição, mortes. Mas os personagens não tem profundidade, os diálogos são puro clichê. Tudo lembra, ainda, muito a cinesérie “Transformers”, e no final toda esta tecnologia e ação colocada na tela se torna enfadonha, um verdadeiro sonífero.

Duração: 1h50min
Cotação: ruim

Chico Izidro

"Por Trás dos Seus Olhos" (All I See Is You)



O diretor Marc Forster apresenta em "Por Trás dos Seus Olhos" (All I See Is You) a jovem Gina (Blake Lively), cega desde que sofreu um acidente no início da adolescência. Ela vive em Bangcok com o marido, o compreensivo e apaixonado James (Jason Clarke, de Winchester). Então um dia surge a notícia de que ela pode recuperar a visão através de uma cirurgia experimental.

E o estranhamento é a força motriz do longa. Afinal, qual será a reação de Gina quando recuperar a visão? Como será ver o marido, será que ele que pode não ser a pessoa que ela sempre imaginou? O filme apresenta uma experiência sensorial de Gina, nos colocando na posição dela - vendo as imagens se formando na tela, como estivéssemos abrindo os olhos aos poucos, e aos poucos passar a enxergar.

Mas tudo isso não é tão suficiente para apresentar algo de novo. "Por Trás dos Seus Olhos" vai se tornando, durante o seu decorrer, sem muito propósito, num ritmo lento e com o diretor parecendo não saber para onde ir. Enfim, o filme se torna cada vez menos interessante e vazio.

Duração: 1h50min
Cotação: ruim

Chico Izidro

"15h17 - Trem Para Paris" (The 15:17 to Paris)



O veterano diretor Clint Eastwood, 87 anos, segue a rotina de seus últimos filmes, onde decidiu recontar atos realizados por pessoas aparentemente comuns, como "Sully" e "Sniper Americano". Desta vez, ele reconstitui os acontecimentos do dia 21 de agosto de 2015, quando três jovens americanos impediram um atentado terrorista em um trem que ia de Amsterdã para Paris em "15h17 - Trem Para Paris" (The 15:17 to Paris). A obra acaba sendo irregular, ainda mais que Eastwood decidiu escalar os próprios rapazes revivendo aquele momento quase trágico de suas vidas.

O trio formado por Spencer Stone, Alek Skarlatos e Anthony Sadler é de homens simples, quase simplórios, sem muitas perspectivas na vida. E como o acontecimento no trem não renderia um longa, o diretor optou por contar a vida deles desde a infância, quando se conheceram na escola, até a definição deles por uma carreira: dois deles se alistam no exército e um segue na vida civil. Então, em 2015 decidem se encontrar na Europa e fazer uma tour.

Stone, Skarlatos e Sadler não tem o mínimo cacoete para a atuação, mas refazem seus passos por cidades como Veneza, Berlim, onde cometem uma gafe durante a visita ao local onde ficava o bunker de Hitler: "Hitler se matou para não encarar os americanos", diz um deles, no que é corrigido pelo guia. "Na realidade, quem quase o capturou foram os russos, mas os americanos fazem sua própria versão, equivocada". Depois Amsterdã, antes de partirem para Paris. E a viagem de trem é o melhor momento do filme, com uma tensão crescente. Eastwood não humaniza o terrorista e nem explica sua motivação. Ele estava lá para matar e é impedido pelos três.

A ideia de Clint Eastwood de recriar este fato histórico até funciona, mas apenas em seu final, tenso. As partes anteriores são tediosas, quase soníferas. E as atuações não ajudam muito.

Duração: 1h36min
Cotação: regular

Chico Izidro

Thursday, March 15, 2018

"Em Pedaços" (Aus dem Nichts)




"Em Pedaços" (Aus dem Nichts), dirigido por Fatih Akin, traz a tona uma das pragas da Europa, a xenofobia e o risco sempre presenta da extrema-direita e suas ações contra imigrantes. No caso, a trama mostra o desespero da alemã Katja (Diane Kruger), cujo marido turco e o filho pequeno foram mortos após uma explosão por causa de uma bomba deixada em frente à empresa dele, e a busca dela por justiça.

A obra é dividida em três partes: Família, Justiça e O Mar. No primeiro ato, connhecemos Katja e a vemos se casar com o presidiário Nuri (Numan Acar), que cumpre pena por tráfico de drogas. Depois, já o vemos livre, com uma empresa e feliz ao lado da mulher e do filho. Certo dia, Katja deixa a criança no trabalho de seu marido e horas descobre que os dois morreram após a explosão de uma bomba.

No ato dois, vemos Katja tentando descobrir os autores do atentado, até se deparar com um casal neonazista, que é preso pelo crime. Mas nada será fácil para ela, já que seu passado e presente como usuária de drogas atrapalha e muito na tentativa de ver os assassinos atrás das grades. E aí brilha o trabalho de Diane Kruger, que faz sua personagem ter as mais variadas reações, com uma vida estilhaçada, depressiva. Uma grande atuação. Mas quem também imprime muita vitalidade ao seu personagem é Johannes Krisch (de A Queda), que interpreta um dos mais desperezíveis advogados dos últimos tempos, defendendo com todo o sangue o casal neonazista - até chegamos a odiá-lo!!! No terceiro ato, Katja parte, sem muita convicção em busca de vingança. O suspense toma conta da tela, e ficamos alí, apreensivos, tentando imaginar cada passo da atormentada personagem. Filmaço.

Duração: 1h46min
Cotação: ótimo

Chico Izidro

12 Heróis (12 Strong)



Baseado nos relatos do chefe de operações militares Mitch Nelson, contada no livro “Horse Soldiers”, do escritor Doug Stanton, "12 Heróis" (12 Strong), direção de Nicolai Fuglsig, narra a história real de um pequeno grupo de soldados norte-americanos infiltrados no Afeganistão para combater o Talibã logo após os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001. A operação ficou marcada por contar com um número reduzido de militares, no caso os 12 do título, que foi organizada de forma completamente secreta - por isso estes soldados ficaram anônimos por muitos anos e a batalha final demorou a ser divulgada. Hoje, no entanto, existe uma estátua de um militar montado em um cavalo no Memorial às vitimas do atentado, construído no local onde antes ficavam as Torres Gêmeas.

Protagonizado pelo eterno Thor, Chris Hemsworth, como Capitão Mitch Nelson, e Michael Shannon no papel do subtenente Hal Spencer, o filme apresenta o grupo de militares numa missão quase suicída no Afeganistão. Eles devem se infiltrar no país do Talibã e tentar convencer o comandante da Aliança do Norte, o General Abdul Rashid Dostum (Navid Negahban) e futuro vice-presidente do país asiático, a aliar-se aos Estados Unidos para eliminar o grupo terrorista Al Qaeda e os talibãs. O que marcou a missão foi o uso de cavalos em um combate contra tanques, e vencida pelos americanos!!!

"12 Heróis" pode, a princípio, cheirar a patriotada norte-americana, afinal enaltece ao extremo o exército daquele país. E isso incomoda muita gente, ainda mais o pessoal abaixo das fronteiras do país de Donald Trump, pois é repleto de heroísmo e patriotismo. Mas apesar de tudo, não é um filme ruim. Deixando de lado ideologias, a obra é preparada para aficiconados em filmes de ação. Produção, efeitos especiais de batalhas, fotografia, tudo enche os olhos.

Duração: 2h11min
Cotação: bom

Chico Izidro

"Western"



Apesar do nome, a obra não trata de um bangue-bangue, como se chamavam os faroestes antigamente e sim de um lugar em uma região rural da Bulgária. Falo do longa "Western", da diretora alemã Valeska Grisebach, que mostra um local atrasado, quase parado no tempo. E é para lá onde um grupo de trabalhadores alemães da construção civil vai trabalhar e conviver, algumas vezes pacificamente, e outras, agressivamente, com os moradores locais.

A diretora consegue trazer à tona sentimentos nacionalistas - observe a questão da bandeira alemã que os trabalhadores hasteam em seu espaço, e que logo é roubada. Grisebach trabalha ainda com a barreira da língua e as diferenças culturais. Todo o filme é mostrado sob a visão do operário Meinhard (Meinhard Neumann), que tenta se entrosar com os habitantes locais, inclusive paquerando as garotas da aldeia. É interessante notar, ainda, que a Bulgária, que fazia parte do antigo bloco comunista do Leste Europeu, se mostre empobrecida. Nem parece que o filme se passe nos anos 10 do Século XXI. O atraso é gritante, mesmo para nós, moradores do Terceiro Mundo. E isso é mais assustador.

Duração: 2h02min
Cotação: ótimo

Chico Izidro

"Tomb Raider: A Origem"



"Tomb Raider: A Origem", direção do norueguês Roar Uthaug, do filme de desastre A Onda (2015), traz de volta à telona a heroína dos vídeo-games Lara Croft, quase duas décadas depois da primeira presença dela no cinema, com a então musa Angelina Jolie. A primeira adaptação era bem ruinzinha e agora com Alicia Vikander (Oscarizada por A Garota Dinamarquesa) melhorou um pouco, mas não traz nada de novidade, aliás, é um apanhado de filmes de aventuras, descaradamente imitando "Indiana Jones e o Templo da Perdição".

Em "A Origem", Lara Croft não tem nada de arqueóloga. Pelo contrário, é uma malandra que vive de pequenos bicos em Londres, já que se nega a viver da herança deixada pelo pai, Richard (Dominic West). Há alguns anos, ele deixou tudo para trás, inclusive a filha, para seguir a pista do túmulo de uma rainha japonesa, Himiko - que pode trazer a destruíção para o mundo se vier à tona.
Mas Lara acaba encontrando documentos de Richard e decide continuar a sua obra, indo parar no litoral japonês, acompanhada do marinheiro Lu Ren (Daniel Wu), e aí um dos inúmeros furos do filme - os dois são estranhos e de um momento para o outro, intímos ao extremo - "não posso deixar Lara para trás", repete Lu Ren frequentemente.

O vilão não poderia ser mais caricato, Mathias Vogel, vivido por Walton Goggis (de Os Oito Odiados), que trabalha para a organização a Ordem da Trindade, organização que vasculha o planeta atrás de artefatos, objetos e locais sobrenaturais. Além da trilha sonora irritante, o diretor abusa daquela câmera tremida e cenas copiadas diretamente dos filmes de Indiana Jones - faltou para Lara Cross somente o chapéu e o chicote. Mesmo assim, saindo dos vídeogames, que nunca joguei na vida e nem pretendo começar agora, dá de cem a zero em "Assassin’s Creed" e similares.

Duração: 1h58min
Cotação: regular

Chico Izidro